sexta-feira, 13 de novembro de 2015
Desespero alveolar
"Traga logo! Não me deixe falar de novo"- gritou um dos três rapagões em tom alterado. Na abrangente possibilidade das cordas atadas nos punhos do garoto e das foices do vento da neblina, quase congelante, endurecendo seu rosto descoberto serem seu tormento, o oferecido era o pior : uma cartela de Marlboro, faltando um cigarro. Este, estava nos lábios de Pedro Miguel. Os lábios que beijaram as raparigas, seguravam, agora, a morte. A sua vida estava em jogo. Por mais que tentasse relutar, mais pressão era exercida. Seguraram o nariz para interromper a inspiração pelas narinas, forçando o trago. O cigarro já estava acendido e a honra gritava mais que os alvéolos ansiosos por hematose. Pedro resistiu, sacudiu a cabeça e cuspiu o pito que se apagou após um ligeiro sapateado. "Essa foi de mais"- pensou o cabeça do grupo. -"Apaguem ele! Agora!". Pedro Miguel fechou os olhos e desfaleceu. Morreu. Mas morreu honrando a promessa que fizera à mãe, que no ano passado morreu por complicações geradas pelo câncer pulmonar, de que nunca fumaria cigarro algum. As células sudoríparas trabalharam a todo vapor naquela madrugada. Miguel acordou desesperado, mas tranquilo e sossegado. Lembrou que bastaria apenas dizer não aos que oferecessem a ele a morte.
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