Endureceram o barro
Parece que querem um lugar e a morada é esta
minha companheira esta grávida
Aonde iremos? Onde ela botará a vida envolvida em casca?
Destruiram nosso ninho
Cantamos, gritamos, encenamos
Por parte deles não havia carinho
Demonstramos, como sabíamos, o desgosto por aquela ação
Eles bateram palmas
Como se não bastasse, me puseram naquela imunda cadeia
Reclamamos, claro, mas aplaudiram
Tentei uma melodia repetitiva
Entenderam como a minha marca
Gostaram, indicaram aos outros como arfimativa
Perseguiram meus irmãos
Espremeram-os em caixas minúsculas
Levaram para longe
E exibiram como troféus
A minha dor foi entendida como dom
Os meus gritos como cânticos
A saudade agonizante como saltos ligeiros de alegria
Roubaram a nossa morada
Roubaram a liberdade
Roubaram o meu sincero cântico
Que nos cantos hoje vivo a chorar

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