quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Desperdício, negligência, fome

        Retratos de crianças desnutridas, apelos veiculados pela mídia, mãos estendidas pelas calçadas dos centros urbanos: a fome é notória e o conivente contribuidor para o agravamento desse quadro tem sido o deperdício de alimentos. Em vista disso, surge a necessidade de um combate urgente contra o desperdiçamento, seja este em grande massa pelas redes supermecadistas ou em pequenas quantidades descartadas pelos consumidores após um dito saciamento.
         O levantamento da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostra que, no mundo, mais de um bilhão de toneladas de alimentos são descartados em um ano. Enquanto, no Brasil, 36 milhões de cidadãos passam fome - contraste que inviabiliza o vivênciar do direito social de acesso à alimentação.
        Além disso, a controvérsia se acentua com a negligência da participação dos órgãos empresariais -seja no ramo das indústria, agricultura ou de revenda- que, baseados em uma política econômica, negam-se doar alimentos avariados alegando que  isso induzirá os trabalhadores a praticarem danos aos produtos, na espera de recebê-los por invalidez de compra. Nisso, o desperdício ganha mais força e o contraste com a fome nacional aumenta.
         No entanto, avaliar a situação com empatia tem se mostrado fundamental a solução. Em um exemplo digno, o grupo Mesas do Brasil, percorre feiras e centros de abastecimento recolhendo alimentos com defeitos estéticos -inviabilizados à compra - e distribuindo em orfanatos e creches frequentadas por crianças carentes. Tal ação gera comoção a grupos sociais que repensam o consumo demasiado e desnecessário optando pelo reaproveitamento do que outrora via-se lixo, levando o debate a uma iminente solução.
        Posto isso, cabe surgir políticas de controle ao desperdício. As mazelas por trabalhadores podem ser reduzidas pelos empresários ao formentarem campanhas benéficas a ambos, como premiação de cestas mensais, para empregados e famílias carentes, de acordo com a produtividade coletiva e queda de avaria. As escolas junto a mídia poderiam criar cartelas concientizadoras às crianças e jovens sobre a gravidade do desperdício, além de ensinar receitas de aproveitamento de alimentos -outrora descartados- aos adultos. Diminuindo os gastos com a produção demasiada, o lucro econômico poderá atenuar a cruel realidade dos retratos dito logo acima.

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