sábado, 9 de janeiro de 2016

POR CAUSA DO AMOR

                                         
   REDAÇÃO ENEM 2015
  NOTA: 960
 TEMA: "A PERSISTÊNCIA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NA SOCIEDADE BRASILEIRA."      


       Opressão, violência, morte: a realidade a qual a população feminina brasileira está submetida é inaceitável. As tentativas de extirpar tais atrocidades têm-se contrastado com a persistência de agressões contra a mulher, que aumenta a cada ano. Assim, surge a necessidade de intensificar as leis vigentes para que dados progressivos de feminicídio e violência contra esse gênero sejam atenuados.
       Na idade média, baseada em um sistema patriarcal, a violência contra o sexo feminino era notória: suseranos a servos culpavam as mulheres por não gerarem prole do gênero masculino- motivo para agredi-las ou matá-las. Quase seis séculos após, cenas análogas se repetem: mulheres,  submetidas ao julgo do cônjuge, são violentadas psicologicamente e fisicamente sem reação perante submissão ao homem.
        Ademais, a sociedade brasileira aderida a ideais fundamentalistas e culturais infere à mulher o dever de dependência à figura masculina, levando-as manterem casamentos e convívio- mesmo sem afeto- por honra à família e imagem própria, além de se limitarem a um falso conceito de ser impossível criar os filhos com ausência do pai. Nisso, as tentativas para para amenizar o crescente índice de agressões tornam-se inviáveis pelo induzido conformismo.
        Somando-se a isso, a insegurança para denunciar as agressões tem sido um dos motivos principais para intensificar a violência contra a mulher que, ao ir a delegacia denunciar o agressor, retorna à casa temendo que o violentador descubra ou que cumpra por pouco tempo a pena e volte com intenção de "vingança".
        Posto isso, cabe reconhecer que a persistência da violência contra o gênero feminino tem sido as falhas articuladas à tênue solução, como a Lei Maria da Penha e o assistencialismo. É necessário que as mulheres tenham a certeza que, ao denunciarem o agressor, estarão seguras. Para isso, o Estado deve promover auxílios pecuniários às mulheres que não têm condições financeiras para recomeçar suas vidas distantes dos que as violentam. Aliado a isso, ONGs e instituições privadas poderiam trabalhar em parceria ao governo, viabilizando cursos profissionalizantes às vítimas para integrarem ao mercado de trabalho. Assim, longe do agressor, não será necessário ser poeta ou músico de renome para reconhecer que a mulher brasileira será sempre mais linda por causa do amor e não pelas máculas da violência.