domingo, 28 de fevereiro de 2016

E QUANDO CHEGAR OS 20 ?



Ah, o ápice do calor da Primavera juvenil está se esvaindo. O que outrora era tão obscuro e um sonho a ser conquistado se tornou tão clichê, mas ainda prazeroso e praticável como a suposta utopia do primeiro beijo. O compromisso com o trabalho e faculdade aumentaram a periodicidade das farras e despreocupações da adolescência. A utopia do empoderamento exacerbado do próprio eu foi pousando com pés desacreditados sobre um frio que marca profundamente as solas com cascalhos de realidade. Ah, as velinhas dos dezesseis, dezessete e dezoito farão uma imensa nostalgia que sabemos que jamais será revivida em carne e osso. Talvez em outra hipotética vida ou devaneio qualquer em um momento de fuga da realidade. O tempo não lhe será um tormento de espera em cumprimento e findar do ano. Passará rápido. Rápido ao ponto de repetir inúmeras vezes durante a semana a clichê indagação sobre o tempo vivenciado: "como este ano passou rápido". Não importa qual seja o ano ou o protagonista da dita fala. Ela será falada quando menos esperar. Ah, com a chegada dos 20, um relacionamento já é esperado. Ou não. Às vezes é melhor ter outras metas como realização profissional, ter mais tempo para se divertir sem se preocupar com as cobranças e zilhões de mensagens no whatsapp.A essa altura, o serviço dos sonhos deveria estar mais próximo, mas não está. Essa forma de pensar ainda é sobra da outra parte da transição da adolescência e infância com seus otimismos tão efêmeros. O desespero baterá na porta com mala e tudo e se deixarmos entrar, seremos um hospício de pensamentos deturpados perante as determinações sociais com um vago conceito de vencer na vida. Ah, quando os 20 chegar, perceberemos que falta apenas mais dez anos para os 30. Sim. E aos trinta, a sociedade já lhe cobrará uma referência de moradia, emprego, filhos... um agonia e pressão sem igual. Quando chegar aos 20, deveremos sim ser mais responsáveis, pensar mais no futuro. Entretanto, não devemos estragar o futuro de uma inocente criança que se idealizava de uma forma mágica e íntima. É válido pensar : somos o que a nossa infância sonhava em sermos? Se não chegamos nem perto, há algo errado. Talvez a vida lhe arrastou sobre um chão áspero e não há motivos para acreditarmos naquela inocência às vezes tola demais no mundo atual. No entanto, vê-se que se esse for o pensamento uníssono, o mundo seria próximo, igual ou pior do que estamos vivenciando. Ah, quando chegar os 20, viva-o. Sim. Viva o presente e planeja com sabedoria o futuro.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O amor é como pássaros sobre os fios das grandes capitais

     



           Alguns grupos de alunos do ensino médio movimentam as mãos e dedos em forma circular, tentando reproduzir o aprendizado de campo, corrente e força nas aulas de eletromagnetismo, da ciência física. E os olhos, da maioria, atentos a cada orientação e dica do educador: Corações ansiosos para o vestibular. E foi numa dessas aulas que pude perceber quão tênue pode ser o amor conjugal com a física elétrica. Tanto em complexidade, como em dimensão fantástica e participativa do nosso dia a dia. Pardais e outras aves pousadas nos " poleiros urbanos" se tornaram comuns à monótona visão do trabalhador ou estudante ao ir e retornar de seu destino. Mas hoje foi diferente para mim. Nos jornais, as diversas advertências do poder público em relação ao cuidado que os motoristas devem ter com os fios de alta tensão, que caem sobre os carros em dias de temporais, estão aos montes. Ah, ser humano, um simples ser em busca de seu "que-fazer" amedronta-se perante o poder das correntes elétricas. Em outro plano, o pardal sossegado. Uns até dormem, gorjeiam e encantam. Pra uns, tanto perigo. Pra outros, tanta confiança e segurança. Mas tal segurança é explicada. Quando um pássaro pousa num fio, os dois ficam com o mesmo potencial elétrico (equilíbrio entre o número de prótons - cargas positivas - e elétrons - cargas negativas). Esse equilíbrio os tornam menos propícios de receberem uma descarga elétrica.No entanto, assim como no amor, há um porém. Quando o pássaro encosta em outro objeto com tensão ou ddp diferentes, recebe uma descarga fatal, fechando o circuito. Pássaros sobres os fios e próximos à árvores, correm o risco de transformar o monótono ócio em sacrifício por exacerbada confiança ao tocarem em uma folha, por exemplo. Nisso, vejo as contingências do amor. Muitas vezes nos apoiamos em algo fatal e acreditamos estarmos seguros, não por um conceito físico, mas emocional. Se os pássaros soubessem o risco que correm ao se deliciarem desse repouso e descanso, reveriam as opções de apoio. Às vezes, um galho não muito atrativo esteticamente, pode lhe custar o poupar da vida, enquanto o reluzente e prateado fio aguarda um deslize para ceifar toda confiança, toda entrega e vida. Em nossos relacionamentos às vezes nos igualamos ao pássaros nos fios, achamos estar confiantes em nossas escolhas conjugais, no estregamos e descansamos os pés do coração sobre os fios de uma falsa esperança de uma história encantada. A descarga é fatal. Uns dizem não amar novamente, generalizam estereótipos a certo gênero e segue a vida trancafiado em desilusões. Nisso, o amor é, sem dúvidas, como pássaros sobre os fios das grandes capitais. É preciso saber onde pousar, em quem encostar e confiar nossos planos para não recebermos uma descarga de desgosto. Nesse contexto, é aconselhável se envolver com cuidado, observar em quais poleiros decidimos entregar nosso voo.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

E QUANDO EU NÃO QUISER SORRIR ?



      Uma risada sempre será mais aceita do que um rosto carrancudo ou sério, mesmo que o riso contagiante seja o mais forçado possível e sem sinceridade alguma. Às vezes preferimos rir de tudo, zombar de tudo, fugir de tudo. Sim, sempre será mais prazeroso gozar de um tombo, rir do que quase fora uma tragédia ou apontar a aparência do próximo com um ar cômico do que fazer parte do destacado modismo "mimimi" que critica os limites do humor, principalmente. Por um lado há uma razão reconhecível em querermos fugir de certas regras. Desde pequenos somos influenciados a cumpri-las, seja no âmbito familiar, escolar ou trabalhista. Elas estão lá e, qualquer deslize, nos colocamos aptos e suscetíveis a punições. Nisso, o humor promove a fuga libertadora dessas imposições. No entanto, até quando esse prazer nos deixará contentes e insensíveis a dor?
       Estar com pessoas que nos fazem rir, certamente nos satisfaz. Aliás, um espontâneo sorriso gera em nós prazer, trabalha os músculos faciais, melhora o sistema imunológico, combate o estresse, melhora o sistema digestivo e respiratório, entre outros fatores benéficos à saúde. Sim, rir é, com toda certeza, um contribuinte para mitigar as tragédias fisiológicas e estéticas a qual estamos sujeitos. Mas e quando eu não quiser rir? E quando o assunto ou o personagem cômico for um genitor, um filho, ou me incomodar por se referir à raças, minorias, favorecendo o "bullying", ou quando a situação familiar ou conjugal não estiver nos melhores dias? A resposta se remete a exclusão social. Visões deturpadas se inclinaram para você com críticas fortes, considerando-o uma peça fora dos conceitos do que é ser humano.
       Frio, sem graça, de mal com a vida... os adjetivos serão diversos demais para descrevê-los um a um. Mas existirão. Entretanto, de que vale agradar aos outros se o dia não nasceu como um dos melhores? Não há um porquê de não fazer esforços para se sentir bem com uma boa risada. Mas quando não der, não force. Viva essa ligeira solidão, mesmo que sozinho. Pense, reflita e, o primordial, ame-se com intensidade. Quando achar que deve sorrir, sorria. Aliás, não há ninguém melhor do que você para saber o momento exato de soltar aquela velha e estridente gargalhada.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Pangênese ou Geração espontânea do ódio? 



Jovem homossexual é morto à pauladas numa escura viela de São Paulo. Mulher tem olhos perfurados por companheiro após desentendimento conjugal. Criança de 14 anos assassina colega de 10 à machadadas após a vítima se negar a entregar o celular. Tais atrocidades seriam dignas de um enredo cinematográfico agregador de um público fã de tramas de terror. No entanto, é real. Os protagonistas são concretos e vivenciam uma tragédia, talvez, incorrigível. A busca por socorro grita nos olhos de cada cidadão. Mas o ciclo é vicioso. Após um ligeiro esquecimento, novas histórias surgem e, nessa roda da fortuna, torcemos para não sermos os próximos. Nisso, pode-se querer a sentença imediata ou a proteção humana com seus argumentos existenciais, causando mais ódio nesse filme sem justiça. Mas, aliás, de onde vem o ódio? É ensinado? É hereditário? Segundo Immanuel Kant, em sua obra "Antropologia de um ponto de vista pragmático", as paixões são inclinações de seres humanos voltadas para outros seres humanos, se dirigindo a fins concordantes ou conflitantes; ou seja, relações que se expressam em amor ou ódio. No entanto, a crítica ao sentimento oposto ao afeto, aprisiona a paixão contrária ao ponto de condensá-la em rancor, que arde como fogo em cinzas, necessitando, apenas, de um corpo com um fácil potencial inflamável para consumir toda área de contato, ocorrendo, nesse caso, a explosão de toda a ira no qual todos nós estamos suscetíveis. Sendo o impulso por amor-próprio a excitabilidade para o divergir do direito de amor ao próximo um fator da inclinação ao ódio, pode-se dizer que, na insurgência de tal sentimento, vale-se uma possível analogia ao conceito de geração espontânea do âmbito biológico. O ódio nem sempre é plantado ou gerado por terceiros, mas inerente à humanidade que foge constantemente de regras tão lineares que favorece inclinações à paixões conflitantes. Entretanto, a hereditariedade- não somente biológica, mas social e cultural- abarca grupos descendentes de tal fuga. Quando o indivíduo não se põe a salvo dessa paixão e desejo de retaliação, gerações agregam valores de vingança acumulada na chama da pequena cinza de rancor controlada, pois o sangue ou honra de um ofendido, ainda não vingado, clamará sempre por vingança. Dessa forma, a busca pela paz se torna mais distante, no instante em que observações de Kant e as teorias de John Locke convergem para um mesmo centro, levantando fortes evidências vivenciadas por nós de que a corruptela humana se dá no recôndito de desejos selvagens e cruéis. Assim, é valido assemelhar a crueldade humana à gêmulas hereditárias que acumulam-se em um emaranhado de sentimentos ocultos, ou acreditar que o ódio nasce sem avisos em meio a uma extensa probabilidade de atuantes? Independentemente do desfecho, resta saber: de quem e do que queremos nos vingar?

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O grito de desespero na educação pública brasileira



Você já deve ter percebido que a crise pela qual passa a educação pública no Brasil, não é recente. O problema tem-se acumulado há anos, resultando em um inchaço de confrontos ideológicos sobre um ensino gratuito e de qualidade. De um lado, há os que gritam a militarização. De outro, os que bradam a liberdade e intensificam a crítica à forjada disciplina como limitadora da democracia e crescimento criativo e individual do aluno. Entre esses dois eixos, vale salientar as divergências no que tange o aproximar de uma solução  para esse cenário em que a problemática se encontra mais afundo do que aparenta: confrontos físicos e verbais constantes entre alunos, desrespeito aos docentes, precariedade do espaço físico das escolas; um comburente à desmotivação dos educadores que insistem em orientar alunos que, muitas vezes, desconhecem até mesmo o motivo de acordarem cedo e estarem ali. Vê-se que o problema é real, mas camuflado. E, em meio a tanto caos, a militarização, que tem se mostrado fator contribuinte para o ascendente número de escolas militares no ranking do MEC no que se refere as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), é uma proposta gritante para frear boa parte das mazelas do ensino público e corrigir várias negligências do governo durante anos. Em confirmação à pujança desse efeito, o filme A Onda de Ron Jones, exemplifica curiosamente os fatos sobre a vida do aluno, em que, jovens, de uma escola, buscam entender o motivo de Hitler conseguir atrair tamanha legião de seguidores a uma das maiores atrocidades da história, através de uma intensa disciplina que, ao decorrer do enredo, foge do controle e gera mentes alienadas a um propósito, outrora, didático. No entanto, avaliar e tirar conclusões em um espaço tão linear como esse, seria um crime. Em primeiro plano, quando o assunto é educação, o auxílio familiar é imprescindível. Com tal realidade, o surgimento de urgência em corrigir o sistema, é inevitável, carecendo, a princípio, da orientação, através de campanhas para o engajar do núcleo familiar no acompanhamento acadêmico. Pois, essa conivência interfere drasticamente na interação social do aluno na capacidade discernir conteúdos a serem assimilados, influenciados pela criticidade amadurecida. Assim, fechar os olhos para o contexto e almejar a militarização é, sem dúvidas, desespero. O garotinho que entra na secretaria da escola e destrói grande parte do que se encontrava ali, não pode ser visto apenas por olhos superficiais e punitivos. As formas paliativas que encontram-se permanentes, devem ser substituídas por um sistema com políticas realmente eficazes e viáveis com o comprometimento do poder público. Com a militarização, quando a criança ou o jovem retornar à casa dos pais, após aulas de cidadania lecionadas nas escolas militares, encontrarão um ambiente totalmente discrepante. A revolta é certa e será corrigida sem indagações, colocando um tênue futuro em risco após uma hipotética suspensão ou transferência. Chega de omissão gerada pelo sistema atual que é reflexo de puro abandono. Chega de ter esperanças em um sistema de rédeas. Queremos o comprometimento com as crianças e jovens. Queremos o comprometimento com o futuro do Brasil.