quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O grito de desespero na educação pública brasileira



Você já deve ter percebido que a crise pela qual passa a educação pública no Brasil, não é recente. O problema tem-se acumulado há anos, resultando em um inchaço de confrontos ideológicos sobre um ensino gratuito e de qualidade. De um lado, há os que gritam a militarização. De outro, os que bradam a liberdade e intensificam a crítica à forjada disciplina como limitadora da democracia e crescimento criativo e individual do aluno. Entre esses dois eixos, vale salientar as divergências no que tange o aproximar de uma solução  para esse cenário em que a problemática se encontra mais afundo do que aparenta: confrontos físicos e verbais constantes entre alunos, desrespeito aos docentes, precariedade do espaço físico das escolas; um comburente à desmotivação dos educadores que insistem em orientar alunos que, muitas vezes, desconhecem até mesmo o motivo de acordarem cedo e estarem ali. Vê-se que o problema é real, mas camuflado. E, em meio a tanto caos, a militarização, que tem se mostrado fator contribuinte para o ascendente número de escolas militares no ranking do MEC no que se refere as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), é uma proposta gritante para frear boa parte das mazelas do ensino público e corrigir várias negligências do governo durante anos. Em confirmação à pujança desse efeito, o filme A Onda de Ron Jones, exemplifica curiosamente os fatos sobre a vida do aluno, em que, jovens, de uma escola, buscam entender o motivo de Hitler conseguir atrair tamanha legião de seguidores a uma das maiores atrocidades da história, através de uma intensa disciplina que, ao decorrer do enredo, foge do controle e gera mentes alienadas a um propósito, outrora, didático. No entanto, avaliar e tirar conclusões em um espaço tão linear como esse, seria um crime. Em primeiro plano, quando o assunto é educação, o auxílio familiar é imprescindível. Com tal realidade, o surgimento de urgência em corrigir o sistema, é inevitável, carecendo, a princípio, da orientação, através de campanhas para o engajar do núcleo familiar no acompanhamento acadêmico. Pois, essa conivência interfere drasticamente na interação social do aluno na capacidade discernir conteúdos a serem assimilados, influenciados pela criticidade amadurecida. Assim, fechar os olhos para o contexto e almejar a militarização é, sem dúvidas, desespero. O garotinho que entra na secretaria da escola e destrói grande parte do que se encontrava ali, não pode ser visto apenas por olhos superficiais e punitivos. As formas paliativas que encontram-se permanentes, devem ser substituídas por um sistema com políticas realmente eficazes e viáveis com o comprometimento do poder público. Com a militarização, quando a criança ou o jovem retornar à casa dos pais, após aulas de cidadania lecionadas nas escolas militares, encontrarão um ambiente totalmente discrepante. A revolta é certa e será corrigida sem indagações, colocando um tênue futuro em risco após uma hipotética suspensão ou transferência. Chega de omissão gerada pelo sistema atual que é reflexo de puro abandono. Chega de ter esperanças em um sistema de rédeas. Queremos o comprometimento com as crianças e jovens. Queremos o comprometimento com o futuro do Brasil.

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