quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O amor é como pássaros sobre os fios das grandes capitais

     



           Alguns grupos de alunos do ensino médio movimentam as mãos e dedos em forma circular, tentando reproduzir o aprendizado de campo, corrente e força nas aulas de eletromagnetismo, da ciência física. E os olhos, da maioria, atentos a cada orientação e dica do educador: Corações ansiosos para o vestibular. E foi numa dessas aulas que pude perceber quão tênue pode ser o amor conjugal com a física elétrica. Tanto em complexidade, como em dimensão fantástica e participativa do nosso dia a dia. Pardais e outras aves pousadas nos " poleiros urbanos" se tornaram comuns à monótona visão do trabalhador ou estudante ao ir e retornar de seu destino. Mas hoje foi diferente para mim. Nos jornais, as diversas advertências do poder público em relação ao cuidado que os motoristas devem ter com os fios de alta tensão, que caem sobre os carros em dias de temporais, estão aos montes. Ah, ser humano, um simples ser em busca de seu "que-fazer" amedronta-se perante o poder das correntes elétricas. Em outro plano, o pardal sossegado. Uns até dormem, gorjeiam e encantam. Pra uns, tanto perigo. Pra outros, tanta confiança e segurança. Mas tal segurança é explicada. Quando um pássaro pousa num fio, os dois ficam com o mesmo potencial elétrico (equilíbrio entre o número de prótons - cargas positivas - e elétrons - cargas negativas). Esse equilíbrio os tornam menos propícios de receberem uma descarga elétrica.No entanto, assim como no amor, há um porém. Quando o pássaro encosta em outro objeto com tensão ou ddp diferentes, recebe uma descarga fatal, fechando o circuito. Pássaros sobres os fios e próximos à árvores, correm o risco de transformar o monótono ócio em sacrifício por exacerbada confiança ao tocarem em uma folha, por exemplo. Nisso, vejo as contingências do amor. Muitas vezes nos apoiamos em algo fatal e acreditamos estarmos seguros, não por um conceito físico, mas emocional. Se os pássaros soubessem o risco que correm ao se deliciarem desse repouso e descanso, reveriam as opções de apoio. Às vezes, um galho não muito atrativo esteticamente, pode lhe custar o poupar da vida, enquanto o reluzente e prateado fio aguarda um deslize para ceifar toda confiança, toda entrega e vida. Em nossos relacionamentos às vezes nos igualamos ao pássaros nos fios, achamos estar confiantes em nossas escolhas conjugais, no estregamos e descansamos os pés do coração sobre os fios de uma falsa esperança de uma história encantada. A descarga é fatal. Uns dizem não amar novamente, generalizam estereótipos a certo gênero e segue a vida trancafiado em desilusões. Nisso, o amor é, sem dúvidas, como pássaros sobre os fios das grandes capitais. É preciso saber onde pousar, em quem encostar e confiar nossos planos para não recebermos uma descarga de desgosto. Nesse contexto, é aconselhável se envolver com cuidado, observar em quais poleiros decidimos entregar nosso voo.

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