terça-feira, 25 de agosto de 2015

O MEIO A PAR DO HUMOR

      


          Dizem que uma das maiores aspirações do ser humano é a felicidade. Em busca disso, artifícios para conquistar tal objetivo, se tornaram variados, refletindo em acúmulo de fortunas, simples doses de humor presente no diálogo entre poucos amigos ou em plateias de risos fortalecidas com ascensão do "Stand UP Comedy". No entanto, em busca da certeza da risada, o agente emissor tem enveredado a anedota por caminhos polêmicos utilizando, como conteúdo cômico, as minorias sociais.
         O humor carregado com estigmas a grupos - dependendo de quem o utiliza-  resgata no ouvinte e/ou personagem-leitor memórias de um passado histórico desagradável, repleto de dor, máculas, exclusões e preconceito, todavia, agora, articulado à hilaridade, escondendo, muitas vezes, por trás de um manto profissional -comediante - a descriminalização pungente e vivaz, enfatizando essa junção imiscível.
        Em controvérsia, em nome da liberdade de expressão, há os que julgam a censura ao humor uma ação antidemocrática, alegando que, o enfoque as minorias, seria uma luta, mesmo em tom de blague, pelo fim do preconceito. Segundo Fiódor Dostoiévski, renomado escritor russo, tudo consiste no meio; a qual sem ele, o homem nada seria.Charles Darwin, não diverge desse conceito em sua teoria evolutiva.Assim, no que tange ao humor, o meio é fundamental para influenciar ou não na descriminalização. 
        Em face a essa realidade, somos levados a acreditar que o desrespeito às diferenças articulado ao humor está em função do meio. Com isso, é preciso avaliar o âmbito à qual a anedota foi aplicada, percebendo, assim, sua real intenção. É preciso que a mídia viabilize programas com esse artifício cômico em busca de integridade dessas classes. É preciso buscar o fundamental equilíbrio, pois a demasia nunca foi bem vista. Dessa forma, o riso e humor emanará sem culpa, sem constrangimento; será a diferença em uma sociedade fadigada de estresse.






quinta-feira, 6 de agosto de 2015

JÁ VIDA ALEGRIA

Já vi os alegres
os que não deixavam nada atrapalhar o riso
os que viviam na plenitude do gozo

Hoje vejo os descontentes

escondendo os dentes
perante uma sociedade tão hipócrita

Já vi os amores em cada esquina 

em cada banco de praça
em cada olhar cintilante
em cada promessa

Hoje vejo o desafeto

o superficial
meros brinquedos ostensivos
a hilaridade das promessas

Já vi mais trabalhadores

mais sonhadores
mais militantes

Hoje vejo mais acomodados
Os acordados sésseis
Mais murmuradores

Estaria sendo eu míope?
Me deram lentes
Mas não quero essas lentes!
Como ver gente que me trará a dita sanidade?
Quero a minha liberdade
Quero que floresça a sanidade aos que perecem inertes
Aos que Morrem no silêncio da ilusão.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

REFLEXOS




Ele, que observava-se e, talvez, indagava a si mesmo, estava ali, em frente ao espelho plano que o refletia por completo. Eu fitava-o incessantemente. O acervo de ideias que passava na mente daquele garoto, estagnado perante o seu reflexo, era um mistério que me tirava o sossego.

Pupilas dilatas, lábios ressecados... sorriu.

Também lancei-lhe um sorriso sutil - daqueles, que omite um dos principais componentes da digestão mecânica. Entre nós fez-se silêncio; parece que ele havia saído do transe. Estava consciente. 

Nisso, aproveitei o momento e me questionei sobre contiguidade dessa ação tênue à uma patologia psíquica. -Não! a sanidade é mais longínqua dos iguais, disse ele, com convicção. De repente, percebi que este monólogo teria um iminente fim: A Narcisa Consanguínea gritava ao meu lado. Em seus lábios, um batom de cor flamejante e, os olhos, sangrentos de pura ira; em sua mão, algo análogo a um revólver, apontava para sua cabeça e matava as ondas, matava os cachos, -traços que não lhe enquadrava no estabelecido panorama social. Me afastei e adaptei-me em outro ambiente. Era melhor e mais que necessário para o meu prolongamento vital.


domingo, 2 de agosto de 2015

A MOROSIDADE DO SOCORRO

Meu coração remói-se em desespero, minha alma se dilacera e sufoca-me junto ao meu silêncio. Minha vontade era gritar na intenção do socorro abdicar o seu ócio e remeter-se somente a mim com uma solução iminente. Mas não, ele está distante; de mão atadas, olhos vendados. Não há comprometimento. Resta-me apenas andar, mesmos debilitado. Arrastar-me por esse deserto que alguns dias me enganara, dizendo ser um oásis. Maldita miragem. Maldita ilusão martirizante. Por que não me mostraram, desde o princípio, a verdade? O sofrimento seria mais ameno. E agora, conseguirá eu ser resiliente?
Pés calejados.
Ofegante.
Sinto a falência de uma angustiada alma sedenta por um gole, apenas um gole, de tranquilidade e sossego.