terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Voz de uma primavera



De uma forma inenarrável aquele olhar me conquistou e, sem anunciar, seu sorriso seria a droga mais viciante que tive o prazer de me viciar. O ardente beijo foi como o primeiro trago e eu mal sabia que a depedência seria iminente. O segundo, ratificou minha fragilidade perante aquele empoderado ser. Viciei. E como um dependente passivo as ações daquela droga, me entreguei sem relutar. Sem questionar. Por mais que tentasse lutar, meu desejo me impedia de abandonar o prazer. Pode ter sido inocência. Pode ter sido imprudência. Mas me entreguei. Era jovem. Tinha muito para viver. Minhas preocupações se limitavam em aproveitar o momento,o presente, a juventude, a primavera que eclodia em meus sentimentos e em meus desejos ofegantes e libidinosos. Tive abstinência de algo mais profundo. Queria mergulhar naquela nicotina hormonal. Erógena. No entanto, meu objeto-vício exigia que eu me entregasse por inteiro: sem relutar, me entreguei. Após isso, como um vento passageiro, me vi sozinho naquele quarto. Meus desejos se transformaram em medo seguido de angústia e dor. Após meses de silêncio, recebi uma carta. Não, não era ele. Alguns diziam diagnóstico, eu dizia sentença. Os olhares, promíscua. Meu coração, culpa e dor. Naquela véspera de natal, após a fraqueza que senti, descobri que era soropositivo. A prova de confiança custou a minha liberdade amorosa. Criou em mim estereótipos. Me pôs em uma cadeia cruel que me afasta dia após dia, no qual meus companheiros se resumem em coquetéis. Com eles, brindo minha falha. Mas anuncio a atenção aos que renegam a prudência em prol de um falso pedido de amor.

-Uma voz. Um jovem.

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